Europa sem a Alemanha?

Alguém já imaginou como seria?

Então, vamos supor que o mapa político atual da Europa Central fosse o seguinte:

europa_dummy3
http://strangemaps.wordpress.com

Bom, como alemão nativo, fico imaginando as conseqüências. Uma delas seria que muitos posts deste blog teriam sido escritos em holandês. Isso não me aborreceria, pois sinto simpatia e respeito pela Holanda (embora, pelo que parece, os sentimentos nem sempre sejam recíprocos. Fazer o quê? Consigo lidar com amores não-correspondidos).

Pergunto-me qual seria o capital da Polônia.

Berlim?

Olhe, tal possibilidade não seria tão remota. Acontece que o “falecido” estado da Prússia – cuja capital era Berlim, antes de a Alemanha existir – tem as suas origens no leste da Europa, na região em que a Polônia se localiza hoje em dia. De fato, a posição geográfica da capital alemã é mais que interessante estrategicamente, pois “conecta” o oeste ao leste do continente.

Por falar na Polônia, também haveria a probabilidade de este país ter sido o maior concorrente da França na Europa Continental, desde o século 19, ao invés da Alemanha (- segundo ao mapa acima, é claro).

Como sou um alemão bem ignorante, não vou mencionar países como a Áustria e a Suíça. Quem sabe, talvez fossem mais arrogantes ainda por serem os únicos territórios a falar esta língua tão enrolada, mas fantástica e rica. Isso, de fato, seria um trauma. Meu idioma nativo sendo representado somente por estes dialetos? Não pretendo ser injusto com tais “enclaves encantadas”. Mesmo assim: give me a break!

Imagino o papel de países como a República Tcheca, a Eslováquia e a Hungria neste cenário. Mesmo que não fossem ocupados e suprimidos pelos nazistas (e os russos?), é bem provável que teriam passado por outras experiências traumáticas. Parece uma normalidade cruel que os países pequenos sofram por causa das “atitudes” dos seus vizinhos poderosos. E não somente na Europa, certo? Mesmo assim, seria legal pensar como teria sido se eles tivessem tido mais influência cultural no meio de tudo isso. Afinal de contas, são países que merecem mais que respeito por sua história, por seus esforços e lutas por autonomia diante dos interesses sufocantes dos seus vizinhos. E, ainda hoje, as capitais destes países permanecem como pequenas jóias culturais no centro da Europa.

Esqueci alguém?

Ah, sim. Aquela ilha ao outro lado do canal da mancha. Well, muito provavelmente, eles seriam os mesmos de sempre. A mesma rainha, os mesmos sotaques, os mesmos hábitos. Isso sem mencionar o fato de dirigirem do lado errado. Os guardiões do Balance Of Power. Mas, permitam-me bancar o alemão ignorante novamente: o que eles seriam sem “nós”? Sem aquela rivalidade que surgiu na segunda metade do século XIX? You´ll never know.- Anyway, acho bem esperto da parte deles não entrarem na zona do Euro. Só que, devido a alguns quilômetros de água, muitos deles não parecem entender que são Europeus como o resto da turma. A língua “deles”, por exemplo, é uma “feijoada européia”, composta de várias línguas germânicas, de elementos célticos, do francês, dos conquistadores romanos. Tantas épocas culturais se acumularam e se manifestam naquilo que se chama British English. Sem o continent, como “eles” costumam chamar o “resto” da Europa, não seriam o que são.

Recuso-me a lançar especulações sobre o papel dos Big Brothers dos Estados Unidos e da Rússia neste contexto. Iria longe demais, fazendo isso. Afinal, o mapa acima não é real. E, não me surpreenderia se soubesse que foi a invenção maluca de um inglês. Uma expressão do whishful-thinking britânico, he he!

Resumindo a viagem na maionese:

As guerras, sem dúvida, teriam sido outras, mas – pode apostar – as fronteiras daquele mapa ficcional também seriam o resultado de esforços hegemônicos, de disputas violentas e de um nacionalismo teimoso, perigoso e antiquado. Do mesmo jeito como se estabeleceram as fronteiras reais da Europa contemporânea.

A Europa era assim e, em parte, ainda é. Só que, em sua maioria, as rivalidades de hoje se manifestam nas reuniões dos políticos. Mas isso já é um progresso significativo.

Mesmo considerando todos os problemas, injustiças e vaidades atuais, a Europa aprendeu uma lição importante, tal qual aquele país que não aparece no mapa acima, mas abaixo:

Mapa política da República Federal da Alemanha

Mapa político da República Federal da Alemanha

Schreibe einen Kommentar

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s