Arquivo do mês: maio 2009

Primeiro a grana, depois a caipirinha

Por Nicole Büsing e Heiko Klaas, Der Spiegel
Tradução, realizada para sp-arte : Peter Hilgeland

Crise? Mas que nada! Em São Paulo, na maior feira de arte da América Latina, os negócios vão de vento em popa – e de maneira bem racional. O mercado internacional cai de boca no modernismo brasileiro e até leva consigo a arte de rua do país.

Caipirinhas, mansões de luxo e loiras exuberantes de salto alto. A piscina é obrigatória e, é claro, com iluminação subaquática. Se estivéssemos no sul da Flórida, na época do boom da Art Basel Miami Beach, o resto da história seria óbvio. Após três drinques no máximo, os convidados continuariam a festa dentro da piscina. À certa altura, não haveria mais contenção e os tablóides obteriam sua história, seguindo o velho lema: esses organizadores de eventos artísticos são loucos.

Porém, em São Paulo, a maior cidade brasileira com mais de 11 milhões de habitantes, o cenário das artes se apresenta mais sóbrio, inclusive em suas festas de lançamento. Formas de comportamento afetado, tipo nouveau-riche, não são benquistas, algo que também se deve ao fato de que os bairros nobres e as favelas nem sempre estão tão distantes, como se imagina.

Pavilhão Da Bienal Ciccillo-Matarazzo

Interior do pavilhão Ciccillo-Matarazzo

No entanto, no pavilhão da Bienal, no parque do Ibirapuera – criado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e considerado o maior pulmão verde da cidade -, o clima é de descontração. Alguns visitantes até desfilam de jogging na quinta feira de arte da SP Arte. Trata-se da maior e a mais importante feira da América Latina. Oitenta galerias, em sua maioria na América do Sul, mas também na França, na Espanha e em Portugal, exercem uma disciplina que recentemente não causou muita alegria aos organizadores da Europa e dos Estados Unidos: a venda de obras de arte em tempos da crise.

Mas, enquanto os números das vendas nas feiras de arte na Europa e nos Estados Unidos sofreram quedas significativas, constata-se um clima de garimpo ao sul do equador: colecionadores brasileiros e internacionais estão açambarcando as últimas peças vendáveis do modernismo brasileiro, cujas obras dos anos 50 aos 80 não precisam temer nenhuma comparação com obras da América do Norte e da Europa.

miraschendel1984untitledartnet

Mira Schendel, Sem Título, 1984

Até Jay Jopling, o dono de uma célebre galeria de Londres, visitou a feira espontaneamente, embora estivesse, na mesma data, expondo obras de sua galeria White Cube na feira de arte em Hong Kong.

E Sarina Tang, colecionadora, curadora e conselheira de arte de Nova Yorque, diz com propriedade: “Por muito tempo, a arte brasileira moderna foi marcada como arte do terceiro mundo. Parece que agora essa imagem está sendo corrigida num processo sumário.”

Tang, que nasceu em Xangai e cresceu em São Paulo, conhece bem os mercados em alta. Desde o início, ela acompanhou o desenvolvimento deste na China. Lá surgiu, praticamente do nada, uma cena contemporânea que, muitas vezes, seguiu a ordem do vendável e da caça ao efeito, e cujos preços subiram de forma exorbitante devido às atividades de especuladores e leilões.

Tang atesta à jovem cena brasileira um padrão maior de substância. “A arte contemporânea brasileira se serve de um vocabulário bem mais internacional e consistente do que a arte jovem da China ou da Rússia. Por causa disso, desejo a ela um público mais amplo.”

Fernanda Feitosa, a diretora da feira, expressa um ponto de vista semelhante. Ela também espera que a tendência seja menos extrema que na China. “É bem provável que, um dia, os preços também exacerbem aqui. Mas, a longo prazo, dinheiro demais no mercado não é bom. Seria melhor se pudessemos nos desenvolver passo a passo.”

Por que será que os especialistas consideram o Brasil um dos centros do modernismo internacional? Felipe Chaimovich, curador no Museu de Arte Moderna de São Paulo, esclarece o assunto:

Helio Oiticica, Grande Núcleo, 1960 (Fonte: Projeto Hélio Oiticica)

Helio Oiticica, Grande Núcleo, 1960 (Fonte: Projeto Hélio Oiticica)

“Nos anos 50, o Brasil se posicionou de uma forma completamente nova: como poder de liderança da América Latina e do terceiro mundo. Oscar Niemeyer realizou Brasilia, a nova capital, e a Bienal de São Paulo ganhou um nível de padrão internacional. Naquela época, artistas, como Lygia Clark ou Helio Oiticica, comecaram a produzir a arte neoconcreta que também foi reconhecida internacionalmente.”

Embora tenha sido um advento tardio, é exatamente esse tipo de arte que agora está sendo procurado por colecionadores e museus do mundo inteiro. As esculturas desdobráveis e frágeis de aço fino de Lygia Clark; os trabalhos delicados de papel de Mira Schendel; ou um biombo de Ivan Serpa, pintado com formas reduzidas e geométricas. Na SP Arte, tais obras são adquiríveis – no entanto, a preços que, em geral, estouram os orçamentos dos grandes museus internacionais.

Segundo Emma Lavigne, curadora do Centre Pompidou de Paris, isso coloca os museus numa posição de desvantagem. “Às vezes, leva de seis a sete meses, ou até um ano, para um museu como o Centre Pompidou aprovar uma aquisição, porque o processo passa por mais de uma instância. Já os colecionadores particulares podem reagir bem mais rápido.

Em cartaz na Art Basel: Arte de Rua de São Paulo

Porém, para quem acredita que a High Art dos museus seja um tema batido, terá sua recompensa em São Paulo mesmo assim. A arte do grafite, criativa e colorida, está surgindo em todos os cantos da cidade. Desde que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, proibiu os outdoors e as propagandas luminosas na paisagem urbana, há muito mais área à disposição dos grafiteiros. Os protagonistas da cena são notórios.

"Os Gêmeos" (Fonte: O Globo)

"Os Gêmeos" (Fonte: O Globo)

Atualmente, os gêmeos Gustavo e Otavio Pandolfo, 34, estão em voga.

Suas pinturas de um colorido intenso acharam a trilha para a primeira liga da cena de arte brasileira: a famosa galeria Fortes Vilaça vende as obras com grande sucesso. O fato de os gêmeos continuarem ativos no espaço urbano é uma questão de honra.

Kboco

Kboco

O colega Kboco, 31, também fez sucesso. Seus sistemas geomêtricos e harmônicos de linhas e círculos se encontram nas fachadas de muitas cidades brasileiras. O trabalho dele será exposto este ano, pela primeira vez, pela Galeria Marilia Razuk na famosa Art Basel.

O motor da cena é o ágil galerista Baixo Ribeiro. Cinco anos atrás, ele fundou o “Choque Cultural”, um espaço para novos talentos. Antes disso, Ribeiro marcava presença em cenários de skateboard e da moda. Foi assim que ele entrou em contato direto com as celebridades do grafite. Hoje Ribeiro as interliga com os sprayers de Nova Yorque, Los Angeles, Paris e Londres. Como a maioria dos colecionadores de Baixo Ribeiro aprecia a pintura contemporânea, ele consegue lhes transmitir que a Arte de Rua de São Paulo é de alta qualidade pitoresca, tanto nas fachadas quanto na tela.

Ribeiro: “Quem pinta na rua, recebe um feedback direto do público. Quando as pessoas não gostam de algo, aquilo desaparece em poucos dias. Do contrário, os bons trabalhos ainda permanecem no espaço urbano por mais de 10 anos.”

Trabalho dos Gêmeos em Coney Island, New York

Trabalho dos Gêmeos em Coney Island, New York

The last frontier?

Wenn Blogs ein letzter Höhepunkt und damit auch der Abgesang auf das geschriebene und gedruckte Wort sein sollten, dann wäre Twitter the last frontier. Die letzte Herausforderung an den Buchstabenmenschen. Eine Minute Konzentration, in Echtzeit übertragen. Direkt von der Front. Nonsens ist natürlich vorprogrammiert: “Gerade mit Lona gefrühstückt. Butter ranzig”. Kann aber auch die Chance sein, mal wirklich auf den Punkt zu kommen.

Martins Fontes

Nachmittags gegen 15 Uhr, an einem strahlend-frisch-luftigen Samstag den Hügel hochgefahren. Mein Ziel, die Martins Fontes an der Avenida Paulista, ist eine Buchhandlung. Sie liegt quasi an der Ecke mit der Avenida Brigadeiro Luiz Antônio. Rein in den Bus, Gelobt sei dieses Beförderungsmittel. wenn die Strassen nicht von Autos verstopft sind. 15 Minuten Weg, an besagter Ecke aussteigen, schon bin ich da. So oft dran vorbei gelaufen, die letzten Monate.

Dabei ist der Laden wirklich gut.

Eher bescheiden im Vergleich zur allmächtigen Livraria Cultura. In der kann man sich schon mal verlaufen. Der grosse Bruder liegt an der gleichen Avenida, frisch erweitert, in futuristisch-elegantem Stil renoviert. Jede Menge Rampen, Ebenen, schicke Beleuchtung, ein nicht gerade billiges Café und ein weitläufig verstreutes Häufchen Angestellte, die sich immer dann umdrehen und weglaufen, wenn man sie anguckt. Da steht man dann, vor imposanten Regalen, und findet nicht nur nicht das, was man sucht sondern läuft auch Gefahr, sich unter dem Impact des architektonischen Events doch glatt selbst zu verlieren. “Was wollt ich doch gleich?” Mein Vorschlag: die Herrschaften der Livraria Cultura sollten ihren Besuchern am Eingang ein geschäftseigenes kleines Gerät in die Hand drücken, um die Orientierung zu erleichtern. Von mir aus gegen Pfand. BPS. Bookstore Positioning System. Das wär’s.

Nicht so die Martins Fontes. Sie ist eine Buchhandlung. Mit Allem, was “dazugehört”. Also nicht so ein Krampf wie Montanus oder Thalia – um das Ganze mal auf deutsche Verhältnisse zu übertragen.

Auf der Suche nach Lehrbüchern fiel er mir sofort auf. Im ersten Stock. Leicht gerötetes Gesicht, weisser Vollbart, im Gespräch mit einer sympathischen Frau gehobenen Alters. Unsere Blicke kreuzen sich. Streng, aber klar sieht er mich an. Ich sehe zurück. Oder war es umgekehrt? Chemie des Augenblicks. Neugierde, Abstand, Interesse, Ruhe. Ich fühle mich eh wohl. Muss am Wetter liegen. An der kühlen Luft und dem blauen Himmel. Ausserdem ist Samstag. Mein Lieblingstag. Arbeit und Freizeit in bester Symbiose.

Ich stöbere also im Regal, plaudere dabei mit einem freundlichen, hilfreichen Geist des Hauses und schlage danach an einem Tisch mein Lager auf, um das Material in Augenschein zu nehmen.

Irgendwann blicke ich auf und eine Menge Leute sitzt um mich herum, auf Stühlen und ein paar bequemen Sesseln. Ich nehme das zwar wahr, aber das Material hat mich noch fest im Griff. Meine Wahl steht fest. Freudige Erleichterung und gewecktes Interesse. Ich bin inspiriert. Und die Ruhe selbst. Ich habe alles notiert. Kaufen werde ich später. Nicht heute. Ich stehe also langsam auf, fast wie in Trance, und entsorge den Stoff auf der PC-Konsole meines freundlichen Helfers. Ich sehe mich um. Schade, dass er nicht mehr da ist. Langsam wird mir klar, dass der buchgefüllte Raum, in dem ich mich befinde, sich gerade in eine Bühne verwandelt.

Für den Mann mit dem weissen Bart.

Espaço Hacker

Laboratório de hackers na California

Laboratório de hackers em San Francisco, California


Imagem: noisebridge.

Segundo o dicionário babylon, os hackers são …

… pessoas que gostam de trabalhar com computadores, programação e transmissão de dados e, também aquelas que tentam descobrir códigos de comunicações ilegalmente.

Carta aberta a uma empresa do setor de idiomas

Com frequência, surgem novas empresas no setor de idiomas, cujo objetivo nem sempre é oferecer um trabalho de qualidade, mas sim extrair dinheiro das suas vítimas, os alunos. Tal comportamento também atinge os professores contratados por essas empresas. É algo que o aluno não percebe, mas que diz muito a respeito. Dadas minhas útimas experiências como profissional, aconselho cautela. As aparências podem enganar. Ética e trabalho nem sempre percorrem o mesmo caminho. Que novidade!

Veja bem: o seguinte é a tentativa de um resumo objetivo. É uma formalidade. Embora que haja mais por trás disso, não vale a pena entrar em detalhes.

Prezados Senhores,

as ocorrências do mês passado não me deixam escolha,
se não constatar as observações seguintes.

1. Considero uma falta de consideração vocês não me
informarem sobre mudanças de horários e professores.
Consigo lidar muito bem com tais decisões, mas também
penso que vocês me deviam um informe. Um telefonema
simples já teria sido o suficiente.
De minha parte, eu sempre cumpri tais premissas.
Avisei por telefone ou por email. pois considero isso um
comportamento ético e de bom senso.
Até indiquei um colega quando não me foi possível
atender a demanda de vocês.

2. Embora, à primeira vista, tal conduta possa revelar uma
má organização da parte de vocês, surgiu um segundo fato
que levantou dúvidas a respeito. Durante um telefonema,
semana passada, com um de seus funcionários, constatei
contradições óbvias entre as afirmações dele e as da aluna
sobre qual falamos naquele dia. A única conclusão possível
é que um dos dois não falou a verdade. Será que, por algum
motivo, tenha sido a aluna? Sinto muito, mas duvido disso.

Muita gente que conheço se interessa em aprender mais
que um idioma estrangeiro e por isso me pede indicação
de professores particulares ou escolas. Dada a experiência
desagradável que eu tive com vocês, prefiro dar preferência
a outros parceiros.

Sem mais,
Peter Hilgeland