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A Hora do Plutão

Agora mesmo, (às 08:50, horário de Brasilia), a sonda New Horizons está passando por ele, a uma distância de apenas 12.500 quilômetros:

Plutão (à direita) e Charon, sua maior lua. © Copyright British Broadcasting Corporation 2015

Plutão (à direita), acompanhado por Caronte, sua maior lua.  © Copyright British Broadcasting Corporation 2015

A imagem acima foi feita anteriormente. Atualmente, a sonda está sem contato com a terra. Mas já ficou claro que Plutão é maior do que se pensava, embora nem chegue perto ao tamanho do nosso próprio planeta:

erdemondplutocharon

Comparando: Terra e Lua, Plutão e Caronte (Fonte: Wikipedia)

Seja como for, a sonda chegou, após de uma viajem de 9 anos e meio, e continuará seu trajeto pelo Sistema Solar exterior. Fascinante!

O que a Teoria da Evolução NÃO é:

Meus caros criacionistas contemporâneos, que fique bem claro o seguinte, de uma vez por todas:

A teoria da evolução não explica a origem do universo. Este campo de estudo é coberto pela área da cosmologia, mas não pelas conclusões da obra “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin.

A teoria da evolução não descreve a primeira origem de vida neste planeta. Este campo de estudo se chama abiogênese.

A teoria da evolução não é imanentemente ateia porque não comenta coisa alguma a respeito da existência de Deus, ela é imparcial e se restringe à observação do mundo natural. Simplesmente.

A teoria da evolução não afirma que “viemos dos macacos”, mas ela mostra a evidência clara de que – por volta de 6 milhões de anos atrás – tanto os primatas como os hominóideos e os seres humanos divergiram de um ancestral comum.

Por último, o conceito da teoria da evolução não é uma religião.
Assim como qualquer outra teoria científica, ela não é um sistema de crenças.

Fim da linha.
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Religioso?

Eu não encontrei expressão melhor que “religioso” para a confiança [que tenho] na natureza racional da realidade, na medida em que é acessível à razão humana. Quando falta esse sentimento, a ciência degenera em um empiricismo sem inspiração.

Albert Einstein, em carta a Maurice Solovine, em 1 de janeiro de 1951.

Por falar em “Deus”

De Paul Tillich, “Über die Tiefe”
Tradução: Peter Hilgeland

Todas as coisas visíveis possuem uma superfície. A superfície é aquela face que percebemos à primeira vista. Quando as vemos reconhecemos aquilo que elas parecem de ser. Porém, se nos orientamos a partir do que as coisas ou os seres humanos parecem de ser, nós nos decepcionamos. Nossas esperanças serão aniquiladas. Por isso, tentamos penetrar a superfície, ir além das camadas exteriores, para podermos reconhecer as coisas como elas realmente são. Por que os seres humanos sempre estão em busca da verdade? Eles a buscam pelo fato de que aquela “verdade” que não as decepciona se encontra embaixo das camadas da superfície, na profundidade. É por isso que o ser humano começou [pelos meios da meditação, da filosofia, da ciência, e outros] a desvendar camada por camada.

Um nome, ou seja, uma palavra que descreve esta profundidade infinita e inesgotável é “Deus”. Eis o verdadeiro significado de “Seu” nome. Portanto, se esta palavra faz pouco sentido pra você, traduza-a, use expressões diferentes como “o sentido da minha vida”, “a origem da minha existência”, “aquilo que afeta a minha vida de forma imediata”, “aquilo que levo a sério, sem dúvida alguma” e assim por diante. Aliás, se você fizer isso, provavelmente precisará esquecer muita coisa que você aprendeu sobre “Deus”, talvez até a palavra em si. Pois, se você reconhece que uma palavra como “Deus” significa profundidade, você consequentemente sabe algo sobre “Ele” [ou “aquilo”, a despeito do nome que escolher].

Neste caso, você não poderá se intitular “ateu” ou “descrente”, pois não será mais capaz de pensar ou dizer: “A vida não faz sentido, a vida é fútil, a (minha) existência em si é mera superfície”. Só se você pudesse falar de si mesmo nesses termos, com plena sinceridade, você seria um “ateu de verdade”.

Conhecer a profundidade significa conhecer [algo de] “Deus”.

2012 – O Fim do Mundo? Fale sério!

Periodicamente aparecem na imprensa profecias sobre o fim do mundo. Garantiu-se por expemplo que o fim do mundo ocorreria em 1910 por ocasião da passagem do Cometa Halley, aconteceu também em 1986, por ocasião de outra passagem do mesmo cometa, em 1999 por conta do final dos “anos 1000” e novamente em 2000 por conta do final do segundo milêncio de nosso calendário.

Afinal o que acontecerá em 2012?

O Calendário Maia é um bom ponto para começar a analisar de forma objetiva as ideias catastrofistas, ele é extremamente complexo e preciso, e também é composto de ciclos maiores e menores. No dia 21 de dezembro de 2012 terminará um Grande Ciclo, que dura 1.870.000 dias, um pouco mais de 5125 anos. O que acontecerá? O Grande Ciclo seguinte começará. Apenas isso.

O Calendário Gregoriano, o nosso, tem ciclos que são os dias, as semanas, os meses, os anos, as décadas, os séculos e os milênios. O que acontece após do final de um ciclo? Inicia-se o ciclo subequente, nada mais óbvio: quando terminou o século 19 em 31/12/1900, iniciou-se o século 20. E ao final do século 20 e do Segundo Milênio, em 31/12/2000, iniciaram-se o século 21 e o Terceiro Milênio.

O Sol tem um ciclo de 11 anos em sua atividade magnética: a cada 11 anos as manchas solares somem, reaparecem, chegam a um máximo de atividade e somem novamente. Devido ao aumento do vento solar, nomáximo de atividade podem ocorrer pertubações nas comunicações via satélite ou de ondas curtas. A polaridade magnética dos pólos solares também se inverte a cada 11 anos. Tudo isso acontece sempre, há bilhões de anos, como parte da natureza do Sol. O próximo “máximo da atividade solar”, na verdade ocorrerá apenas em maio de 2013 e segundo os especialistas será mais fraco que a média das últimas décadas. Quanto à inversão dos pólos magnéticos da própria Terra, isto ocorre periodicamente, em intervalos de centenas de milhares de anos. Segundo os geofísicos, o processo de inversão leva cerca de 1000 anos para se completare nõ há o menor indício que uma inversão esteja ocorrendo atualmente.

Outro argumento que se escuta com frequência é o suposto alinhamento do Sol com o Centro Galáctico que ocorrerá no final de 2012 e desencadeia movimentos catastróficos dos continentes, terremotos e maremotos. Como o centro da galáxia é geometricamente um ponto no espaço e a Terra é outro, é bem evidente perceber-se que dois pontos sempre estão alinhados. Isso é geometria elementar. E a cada solstício de verão, ou seja, sempre que o verão se inicia no hemisfério sul no dia 21 ou 22 de dezembro, o Sol visto da Terra estará alinhado com o Centro Galáctico. Rigorosamente nada diferente acontece neste momento em termos da atração gravitacional exercida sobre a Terra devido à imensa distância que nos separa do Centro Galáctico ou mesmo das estrelas mais próximas. Apenas a Lua e o Sol exercem forças de atração gravitacional significativas sobre a Terra, forças estas que combinados resultam nas marés.

Finalmente, muito se fala na eventual colisão de um planeta desconhecido com a Terra. Esta hipótese mistura fatos reais com fantasia. O que existe de real é que durante muito tempo foram detectadas sutis diferenças entre a posição medida e posição prevista do planeta Netuno, indicando a atração gravitatcional do mesmo por corpos desconhecido além da órbita de Netuno. Plutão foi desoberto em 1930 a partir destas diferenças, e atualmente se sabe que existe todo um cinturão de pequenos objetos chamado Cinturão Transnetuniano que é responsável pelas diferenças de posição medidas. Nos últimos anos diversos objetos deste cinturão foram descobertos. Além disso, se um grande corpo estivesse se aproximando das Terra tal que fosse colidir com a mesma em 2012, há décadas ele já teria sido detectado com telescópiosm profissionais e atualmente seria visível a olho nu. Existe um grande projeto de observação de corpos que passam próximos à Terra que envolve astrônomos do mundo todo. O objetivo é descobrir com o máximo de antecedência possível corpos que estejam em rotas de colisão conosco mas felizmente até o momento nenhum corpo foi confirmado em órbita de risco.

Fonte: Professor Roberto D. Dias de Costa – Departamento de Astronomia da USP

Pois é …
Feliz Ano Novo!

Thiago Lobo: o ilustrador sobre o cético (1)

Já que não parece ser possível deixar comentários no blog dele, permitam me fazer isso por aqui. Se trata de duas imagens. Eis a primeira:

Então:

O cara por trás do telescópio é uma figura e tanto.

Primeiro, porque ele compara o universo com um relógio. Um relógio é uma máquina. O universo não é uma máquina. Uma máquina não produz algo tão importante como o acaso. E, veja bem, existe uma outra palavra para o acaso neste contexto. É chamado de “liberdade”.

Segundo, porque a fascinação dele fala por si. Ser fascinado por algo não tem nada a ver com a racionalidade com qual ele “explica” aquilo que observou. Se trata de uma contradição tipicamente humana.

E o outro cara? Ele parece tão feliz e equilibrado, não é?

Sinto muito, mas ele é um ignorante, porque ele não percebe os verdadeiros motivos da fascinação do primeiro cara. Empatia zero! Embora ele tenha feito uma pergunta interessante, ele fez a mesma somente para poder confirmar aquilo que ele já pensava antes. Invés de entrar na matéria, ele se afasta com aquele sorriso de crente. Invés de fazer mais perguntas, ele vai embora, continuando no mundo fechado dele, abandonando a chance de um discurso pra valer.

Resumo: é o encontro de duas crianças.

Argumentos a Favor da Existência de Deus

Já faz um tempão que queria fazer um pouco de “marketing” para um bom amigo meu. Here we go:

Por que existe algo, quando era mais fácil não existir nada? Não há nenhum motivo lógico para existir qualquer lei ou ordem na realidade.

Costumo dizer que se Deus não existe, o universo surgiu por um mero produto do acaso, e, por outro lado, se Deus existe, o universo surgiu intencionalmente.

Muitos dizem que na realidade que nos cerca não existe ordem. O filósofo pragmatista norte-americano Clarence Irving Lewis escreveu um livro “Mind and the World Order” no qual argumenta que a complexidade das leis científicas não tem nada a ver com qualquer inteligência não humana ou ordem preestabelecida. Lewis argumenta que a ordem do universo é produto da inteligência humana e que nossas faculdades de percepção e categorização das informações nos levam a agrupar os fatos de modo que faça sentido, o que não implica que essa ordem seja um espelho de uma ordem preexistente fora da mente. Para ele, a ordem que aparentemente existe no universo não passa de apenas “alucinação” dos sentidos humanos.

Porém, me parece insustentável essa argumentação, tendo em vista que:

O que são as leis físicas senão uma ordem pré-estabelecida? Os fatos acontecem na realidade sempre condicionados por leis físicas. Essas leis ordenam os acontecimentos sempre. Quanto à alegação de que a ordem do universo é apenas uma “alucinação” dos sentidos humanos, acredito que o contrário também pode ser afirmado: a impressão de que não existe ordem no universo é apenas um produto da inteligência humana, uma alucinação.

Nosso universo funciona com padrão matemático e respeita sempre esse padrão(as leis físicas seguem o padrão matemático). Até onde se sabe, em qualquer lugar (pelo menos fora das “singularidades da física”, de onde não dá para se saber nada a respeito), 1+1=2, sempre!

Hoje em dia existem as incríveis “Teorias Sistêmicas” ou também conhecidas simplesmente por “Teoria do Caos”. Na natureza, os sistemas apresentam a propriedade de se auto-organizar, sendo que podem ser entendidos por meio de dois mecanismos organizacionais básicos: formação e regulação. Sistemas abertos (aqueles que recebem influencias externas ao sistema) só podem operar em ambientes afastados do equilíbrio graças à sua capacidade de auto-regulação (laços de realimentação). Existem inúmeros exemplos de estruturas dissipativas com extraordinário padrão de ordenação.

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Sobre o autor: Milton Mourão Jr. é biólogo com especialização em bioquímica e biologia molecular. Também é sacerdote brahmana vaishnava e frequenta o Adi-Templo da Iskcon em São Paulo. Seu nome religioso é Mahesvara Caitanya Das.