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Ensino escolar: Pesquisa Alemã revela vantagens de conceitos alternativos

Waldorf, Montessori ou escola regular?

Há muitos anos, esta questão é um tema “clássico”, sendo avaliado e discutido por pais da classe média e da classe média alta. Diante da decisão de escolher uma escola para a formação dos filhos, o assunto pode se desdobrar em discussões infinitas. Hoje em dia, muitos filhos são pressionados por pais ambiciosos a mostrar desempenho. Tais exigências agravam a situação nas escolas, resultando num clima extremamente competitivo e agressivo, e isso ocorre entre crianças e adolescentes que crescem num ambiente protegido e privilegiado. Em contra partida, a preocupação com o bem-estar dos filhos aumentou. Nesse contexto, modelos escolares alternativos estão gradualmente em foco por serem considerados mais aptos a estimular o desenvolvimento das habilidades infantis sem causar o medo de competir ou falhar.

“Verdade ou mito?”

Heiner Barz, um pesquisador da área de educação da Heinrich-Heine-Universität em Düsseldorf, divulgou, em fevereiro de 2011, os primeiros resultados de sua pesquisa nacional sobre satisfação e experiências de aprendizagem de alunos Waldorf, comparando-as com escolas regulares. Oitocentos alunos Waldorf preencheram questionários e mais que 50 entrevistas individuais com pais e alunos (duração entre 2 e 3 horas) foram realizadas. Recentemente, o pesquisador apresentou para a imprensa os resultados finais em forma de livro, confirmando a primeira percepção dos resultados provisórios do ano passado.

Segundo a pesquisa, os alunos de escolas Waldorf (existe outra pesquisa independente sobre alunos Montessori) estudam com mais entusiasmo, sofrem menos com sintomas de estresse como dor de cabeça, dor de barriga ou distúrbio de sono, sentem-se menos entediados e frequentemente tem uma impressão mais positiva da escola e dos professores do que os alunos de escolas regulares. Em parte, as diferenças são significativas. Oitenta por cento dos alunos Waldorf afirmaram que sentem prazer em estudar – em comparação a 67 por cento das escolas regulares. Oitenta e cinco por cento dos alunos Waldorf consideram o clima escolar e a atmosfera de aprendizagem como agradável e sustentador – em comparação a 60 por cento do alunos das escolas regulares. Sessenta e cinco por cento dos alunos Waldorf afirmaram ter um bom relacionamento com o professor, mas somente 31 por cento dos alunos de escolas regulares disseram a mesma coisa. (Os dados obtidos dos alunos de escolas regulares se baseiam em outras pesquisas usando questionários semelhantes).

O desempenho em provas finais do ensino médio também mostra bons resultados. “Pelo que sei, não existe nenhum estado federal no qual os alunos Waldorf se saíam pior que outros”, diz Heinz Barz. A maioria deles termina o ensino médio.

Todavia, na divulgação provisória dos resultados da pesquisa, Barz destacou um fenômeno comum entre alunos Waldorf e outros: a tendência a necessitar de reforço escolar, como em matemática, línguas estrangeiras e na preparação para as provas finais do ensino médio.

Seja como for, para Andreas Schleicher, coordenador do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), o sucesso de aprendizagem nas escolas Waldorf ainda não foi apreendido de forma abrangente. Segundo ele, os resultados dos testes que a PISA realizou em escolas finlandesas bem-sucedidas, as quais adaptaram elementos da pedagogia Waldorf, mostrariam que as mesmas estimulam a aquisição de conhecimento baseada na realidade, ou seja, “naquilo que o mundo exige de nós”. Schleicher, que é contra as formas de “conhecimento instantâneo”, destaca como contraste uma forma de ensino cuja ênfase é “aplicar conhecimento de forma criativa, direcionando-o a soluções práticas em novas áreas”. Também menciona que alunos Waldorf se destacaram num estudo da PISA por “suas competências acima da média na área das ciências naturais”.

Texto original de Thomas Pany, publicado em TELEPOLIS, 27/09/2012
Tradução autorizada: Peter Hilgeland

Visto ou vivido?

A “Festa da Lanterna” é um evento que ocorre uma vez por ano, em junho, na escola Waldorf que minha filha frequenta. É comemorada à noite pelas crianças do maternal e do jardim, acompanhadas dos professores. Os pais são convidados para assistirem à pequena cerimônia na quadra da escola. As luzes se apagam e as crianças entram em fila, cantando, cada uma com uma lanterna na mão, para se reunir. Enquanto isso, alguns professores acendem um fogo com tochas no centro da quadra.

Poderia, certamente, ser um momento inesquecível para todos os presentes e não apenas para as crianças.

Infelizmente, tal evento sofreu um distúrbio grave: uma tempestade de relâmpagos, causados pelas máquinas fotográficas de muitos pais, que “documentavam” a cerimônia inteira. Como pai, confesso que tal atitude me perturbou e até irritou. Que mania é essa tirar imagens de pequenas crianças carregando lanternas? Uma lanterna serve para iluminar os arredores e, neste caso, encantar os participantes. Em uma ocasião como esta, o flash de uma câmera é mais do que inconveniente: ele acaba com a intenção e o sentido da festa. Sem falar daqueles que, ao olhar através das lentes das suas máquinas, nem conseguiram desfrutar realmente daquele momento na vida dos seus filhos por estarem ocupados com seus brinquedos digitais.

Após armazenar arquivos e mais arquivos no disco rígido, qual é o resultado de tal esforço? Imagens de crianças iluminadas por luzes artificiais e não pelas lanternas que elas carregavam. A lembrança de um evento importante, reduzido à mera atividade digital como algo “visto” mas não “vivido”.

Mas que tipo de lembrança é essa?

P. S.

Todos querem ser famosos. Serem vistos, congelados, preservados pela mídia, porque nós passamos a acreditar no que é visto mais do que no que é vivido. De alguma forma nós entendemos tudo ao contrário e as imagens nos parecem mais reais para nós do que as experiências. Para confirmar que nós realmente existimos, que nós realmente importamos, temos que ver fantasmas de nós mesmos preservados em fotografias, em programas de televisão e videotapes, no olho do público.

E quando você sai de férias, o que você vê? Bandos de turistas com câmeras de vídeos grudadas em suas faces, como se estivessem tentando sugar o mundo real para dentro do mundo bi-dimensional das imagens, gastando seu “tempo livre” vendo o mundo através de uma pequena lente de vidro. Certamente, transformar tudo que você poderia experimentar com os cinco sentidos em informação gravada que você só pode observar à distância, de fora, oferece a ilusão de estar no controle da própria vida: você pode rebobiná-la e reprisá-la, mais de uma vez, até que tudo pareça ridículo.

Mas que tipo de vida é essa?

Trecho do livro Days of War, Nights of Love, achado no blog de Rafael Conter.