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O estranho Mujica no desconcertante Uruguai

Mujica4c-e1400869625507-120x80Diz que a democracia e o socialismo são compatíveis, mas com a condição de que um não engula o outro. Diz que o que mais importa destacar de seu mandato é a luta contra a pobreza e a indigência, e o crescente clima de estabilidade política e confiança que vem atraindo os investimentos estrangeiros. Pergunta se queremos um uísque, diz que não teremos outro remédio senão voltar à economia produtiva, e que neste terreno o Uruguai está muito bem situado, pois tem uma excelente produção de lácteos, de carne, de cereais. Diz que produzem trigo, soja, que exportam arroz, que são bons vendedores de carne de vaca, que exportam peixes pois comem muito pouco, que possuem um mar precioso mas têm vivido de costas para ele já que são descendentes de galegos. Diz que fala muito com os chineses, que são seu principal cliente, que compram toda sua soja e estão aumentando sua presença, que nas campanhas eleitorais as bandeiras são todas chinesas. Diz que o problema da Europa é ter-se descuidado da economia produtiva, subordinando-a a engrenagem financeira, e daí a imagem da cauda que move o cachorro, quando o importante é o cachorro…

Trecho de um artigo por Juan José Millás. O escritor espanhol foi a Montevidéu para acompanhar o cotidiano do presidente uruguaiano, entrevistar o mesmo e descrever suas impressões.

In Memoriam

Willy Brandt (Herbert Ernst Karl Frahm), 18.12.1913 – 08.10.1992 - http://www.flickr.com/photos/philgeland/

Willy Brandt / Herbert Ernst Karl Frahm, 18.12.1913 – 08.10.1992 – Photo: http://www.flickr.com/photos/philgeland/

P.S.
No need to understand German. Not really. Shortest interview ever:

English Reform by European Commission

The European Commission has just announced an agreement that English will be the official language of the EU – rather than German (the other possibility). As part of the negotiations, Her Majesty’s Government conceded that English spelling had some room for improvement, and has accepted a 5-year phase-in of new rules which would apply to the language and reclassify it as EuroEnglish.

The agreed plan is as follows:

In year 1, the soft c would be replaced by s Sertainly, this will make the sivil servants jump with joy. The hard C will be replaced by ‘k . This should klear up konfusion and keyboards kan now have one less letter. There will be growing publik enthusiasm in the sekond year, when the troublesome ph is replaced by f This will reduse fotograf by 20%.

In the 3rd year, publik akseptanse of the new spelling kan be expekted to reach the stage where more komplikated changes are possible. Governments will enkourage the removal of double letters, which have always ben a deterent to akurate speling. Also, al wil agre that the horible mes of the silent ‘e’s in the language is disgrasful and they should eliminat them.

By year 4, peopl wil be reseptiv to lingwistik korektions such as replasing th with Z and w with v (saving mor keyboard spas).

During ze fifz year, ze unesesary o kan be dropd from vords kontaining ou and similar changes vud of kors be applid to ozer kombinations of leters. After zis tifz year, ve vil hav a reli sensibil riten styl. Zer vil be no mor trubls or difikultis and evrivun vil find it ezi to understand ech ozer.

Ze drem vil finali kum tru!!

If you know who the author is, please drop them a line.

Once Europe was boring

Now Europe is no longer boring. It used to be like an instruction manual for a fridge-freezer in 20 languages. It is now like a Bunuel movie or a Dostoyevsky novel, compelling but bewildering. And scary. Even the main characters no longer understand the plot.

John Lichfield

Efeito de uma erupção vulcânica

A erupção:

O efeito:

Der Spiegel

Go East – Dicas de Berlim

Esqueça Berlim Ocidental. É na antiga parte comunista que as coisas acontecem. É onde estão os melhores museus, os monumentos restaurados, as novas construções e a vida noturna.  Então, dica número 1: se for a Berlim, hospede-se nesta parte da cidade e você vai economizar muitas baldeações.

Leia mais:

http://giseleteixeira.wordpress.com/2009/03/18/go-east-_-dicas-de-berlim-1/

Europa sem a Alemanha?

Alguém já imaginou como seria?

Então, vamos supor que o mapa político atual da Europa Central fosse o seguinte:

europa_dummy3
http://strangemaps.wordpress.com

Bom, como alemão nativo, fico imaginando as conseqüências. Uma delas seria que muitos posts deste blog teriam sido escritos em holandês. Isso não me aborreceria, pois sinto simpatia e respeito pela Holanda (embora, pelo que parece, os sentimentos nem sempre sejam recíprocos. Fazer o quê? Consigo lidar com amores não-correspondidos).

Pergunto-me qual seria o capital da Polônia.

Berlim?

Olhe, tal possibilidade não seria tão remota. Acontece que o “falecido” estado da Prússia – cuja capital era Berlim, antes de a Alemanha existir – tem as suas origens no leste da Europa, na região em que a Polônia se localiza hoje em dia. De fato, a posição geográfica da capital alemã é mais que interessante estrategicamente, pois “conecta” o oeste ao leste do continente.

Por falar na Polônia, também haveria a probabilidade de este país ter sido o maior concorrente da França na Europa Continental, desde o século 19, ao invés da Alemanha (- segundo ao mapa acima, é claro).

Como sou um alemão bem ignorante, não vou mencionar países como a Áustria e a Suíça. Quem sabe, talvez fossem mais arrogantes ainda por serem os únicos territórios a falar esta língua tão enrolada, mas fantástica e rica. Isso, de fato, seria um trauma. Meu idioma nativo sendo representado somente por estes dialetos? Não pretendo ser injusto com tais “enclaves encantadas”. Mesmo assim: give me a break!

Imagino o papel de países como a República Tcheca, a Eslováquia e a Hungria neste cenário. Mesmo que não fossem ocupados e suprimidos pelos nazistas (e os russos?), é bem provável que teriam passado por outras experiências traumáticas. Parece uma normalidade cruel que os países pequenos sofram por causa das “atitudes” dos seus vizinhos poderosos. E não somente na Europa, certo? Mesmo assim, seria legal pensar como teria sido se eles tivessem tido mais influência cultural no meio de tudo isso. Afinal de contas, são países que merecem mais que respeito por sua história, por seus esforços e lutas por autonomia diante dos interesses sufocantes dos seus vizinhos. E, ainda hoje, as capitais destes países permanecem como pequenas jóias culturais no centro da Europa.

Esqueci alguém?

Ah, sim. Aquela ilha ao outro lado do canal da mancha. Well, muito provavelmente, eles seriam os mesmos de sempre. A mesma rainha, os mesmos sotaques, os mesmos hábitos. Isso sem mencionar o fato de dirigirem do lado errado. Os guardiões do Balance Of Power. Mas, permitam-me bancar o alemão ignorante novamente: o que eles seriam sem “nós”? Sem aquela rivalidade que surgiu na segunda metade do século XIX? You´ll never know.- Anyway, acho bem esperto da parte deles não entrarem na zona do Euro. Só que, devido a alguns quilômetros de água, muitos deles não parecem entender que são Europeus como o resto da turma. A língua “deles”, por exemplo, é uma “feijoada européia”, composta de várias línguas germânicas, de elementos célticos, do francês, dos conquistadores romanos. Tantas épocas culturais se acumularam e se manifestam naquilo que se chama British English. Sem o continent, como “eles” costumam chamar o “resto” da Europa, não seriam o que são.

Recuso-me a lançar especulações sobre o papel dos Big Brothers dos Estados Unidos e da Rússia neste contexto. Iria longe demais, fazendo isso. Afinal, o mapa acima não é real. E, não me surpreenderia se soubesse que foi a invenção maluca de um inglês. Uma expressão do whishful-thinking britânico, he he!

Resumindo a viagem na maionese:

As guerras, sem dúvida, teriam sido outras, mas – pode apostar – as fronteiras daquele mapa ficcional também seriam o resultado de esforços hegemônicos, de disputas violentas e de um nacionalismo teimoso, perigoso e antiquado. Do mesmo jeito como se estabeleceram as fronteiras reais da Europa contemporânea.

A Europa era assim e, em parte, ainda é. Só que, em sua maioria, as rivalidades de hoje se manifestam nas reuniões dos políticos. Mas isso já é um progresso significativo.

Mesmo considerando todos os problemas, injustiças e vaidades atuais, a Europa aprendeu uma lição importante, tal qual aquele país que não aparece no mapa acima, mas abaixo:

Mapa política da República Federal da Alemanha

Mapa político da República Federal da Alemanha