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Volta obscura ao Século XX

Uma porta velha de madeira se abre e o visitante entra num quarto que parece ser de alguém dedicado a estudos e pesquisa. É um lugar desarrumado, repleto de livros com diagramas científicos, ensaios sobre fenômenos sobrenaturais e rascunhos feitos a mão. A cena é iluminada somente por lâmpadas fracas. Era como se o habitante tivesse saído recentemente. O visitante é convidado a sentar-se à mesa e folhear nos livros, vivenciar um cenário analógico …

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Os movimentos do visitante disparam faixas de sons perturbantes e misteriosas; cada canto da instalação abre um universo paralelo, cada um deles disparando uma voz ou um som diferente, embora narrando um conto só: o de um misterioso abismo, um tal de Dark Pool. Mas nem mesmo aquela maquete do lago escuro, instalada numa velha mala, consegue desvendar o mistério …

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“Dark Pool” – Janet Cardiff, George Bures Miller, 1995

Ständehaus K21 - Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen

Ständehaus K21 – Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen

Árvores na neve

Pois somos como troncos de árvores na neve.
Como parece, apenas estão deitados na superfície escorregadia,
e um pequeno empurrão deveria deslocá-los.
Não, não é possível fazer isso porque eles estão firmemente unidos a terra.
Mas, veja, até isto é mera aparência.

Denn wir sind wie Baumstämme im Schnee.
Scheinbar liegen sie glatt auf,
und mit einem kleinen Anstoß sollte man sie wegschieben können.
Nein, das kann man nicht, denn sie sind fest mit dem Boden verbunden.
Aber sieh, sogar das ist nur scheinbar.

Franz Kafka, “Die Bäume”
Aus: “Die Erzählungen – Originalfassung”, Fischer Taschenbuch Verlag GmbH
Tradução: Peter Hilgeland