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Thiago Lobo: o ilustrador sobre o cético (2)

Como já disse, queria comentar uma segunda imagem do blog do Thiago Lobo. Ela contém um „argumento clássio“ dos criacionistas:

Bom, à primeira vista, tal argumento parece fazer sentido. Como é possível surgir algo tão complexo, como o universo e a vida no nosso planeta, sem „projeto“ algum? Pois é. O problema é que a mensagem acima distorce a teoria da evolução. Nem o próprio Darwin afirmaria que a vida é o resultado de um mero acaso.

O acaso puro criaria um caos sem sentido. Existem as leis físicas também. Aliás, somente elas criariam algo sem sentido de outra forma: um tipo de automatismo que não corresponderia com a dinâmica do nosso universo.

É a combinação destes dois fatores que é capaz de efetuar mudanças e fazer a vida progredir. E isso é um processo permanente.

Eis o „projeto“.

Neste contexto, não importa se você é ateu, cético ou crente.

Thiago Lobo: o ilustrador sobre o cético (1)

Já que não parece ser possível deixar comentários no blog dele, permitam me fazer isso por aqui. Se trata de duas imagens. Eis a primeira:

Então:

O cara por trás do telescópio é uma figura e tanto.

Primeiro, porque ele compara o universo com um relógio. Um relógio é uma máquina. O universo não é uma máquina. Uma máquina não produz algo tão importante como o acaso. E, veja bem, existe uma outra palavra para o acaso neste contexto. É chamado de „liberdade“.

Segundo, porque a fascinação dele fala por si. Ser fascinado por algo não tem nada a ver com a racionalidade com qual ele „explica“ aquilo que observou. Se trata de uma contradição tipicamente humana.

E o outro cara? Ele parece tão feliz e equilibrado, não é?

Sinto muito, mas ele é um ignorante, porque ele não percebe os verdadeiros motivos da fascinação do primeiro cara. Empatia zero! Embora ele tenha feito uma pergunta interessante, ele fez a mesma somente para poder confirmar aquilo que ele já pensava antes. Invés de entrar na matéria, ele se afasta com aquele sorriso de crente. Invés de fazer mais perguntas, ele vai embora, continuando no mundo fechado dele, abandonando a chance de um discurso pra valer.

Resumo: é o encontro de duas crianças.

Argumentos a Favor da Existência de Deus

Já faz um tempão que queria fazer um pouco de „marketing“ para um bom amigo meu. Here we go:

Por que existe algo, quando era mais fácil não existir nada? Não há nenhum motivo lógico para existir qualquer lei ou ordem na realidade.

Costumo dizer que se Deus não existe, o universo surgiu por um mero produto do acaso, e, por outro lado, se Deus existe, o universo surgiu intencionalmente.

Muitos dizem que na realidade que nos cerca não existe ordem. O filósofo pragmatista norte-americano Clarence Irving Lewis escreveu um livro „Mind and the World Order“ no qual argumenta que a complexidade das leis científicas não tem nada a ver com qualquer inteligência não humana ou ordem preestabelecida. Lewis argumenta que a ordem do universo é produto da inteligência humana e que nossas faculdades de percepção e categorização das informações nos levam a agrupar os fatos de modo que faça sentido, o que não implica que essa ordem seja um espelho de uma ordem preexistente fora da mente. Para ele, a ordem que aparentemente existe no universo não passa de apenas “alucinação” dos sentidos humanos.

Porém, me parece insustentável essa argumentação, tendo em vista que:

O que são as leis físicas senão uma ordem pré-estabelecida? Os fatos acontecem na realidade sempre condicionados por leis físicas. Essas leis ordenam os acontecimentos sempre. Quanto à alegação de que a ordem do universo é apenas uma “alucinação” dos sentidos humanos, acredito que o contrário também pode ser afirmado: a impressão de que não existe ordem no universo é apenas um produto da inteligência humana, uma alucinação.

Nosso universo funciona com padrão matemático e respeita sempre esse padrão(as leis físicas seguem o padrão matemático). Até onde se sabe, em qualquer lugar (pelo menos fora das “singularidades da física”, de onde não dá para se saber nada a respeito), 1+1=2, sempre!

Hoje em dia existem as incríveis “Teorias Sistêmicas” ou também conhecidas simplesmente por “Teoria do Caos”. Na natureza, os sistemas apresentam a propriedade de se auto-organizar, sendo que podem ser entendidos por meio de dois mecanismos organizacionais básicos: formação e regulação. Sistemas abertos (aqueles que recebem influencias externas ao sistema) só podem operar em ambientes afastados do equilíbrio graças à sua capacidade de auto-regulação (laços de realimentação). Existem inúmeros exemplos de estruturas dissipativas com extraordinário padrão de ordenação.

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Sobre o autor: Milton Mourão Jr. é biólogo com especialização em bioquímica e biologia molecular. Também é sacerdote brahmana vaishnava e frequenta o Adi-Templo da Iskcon em São Paulo. Seu nome religioso é Mahesvara Caitanya Das.