Sprach-Welt

Sprache ist einerseits beherrschende Konvention, andererseits unser eigenster Besitz. Sie ist das Produkt kollektiver Geschichte, und dennoch trägt jeder seine eigene Vorstellung zu jedem Wort, jeder sein eigenes, in persönlicher Geschichte verankertes Verhältnis zu den Namen der Dinge in sich, auch wenn die Eigenart dieses Verhältnisses nur sehr selten artikuliert wird und unter der verhärteten Schicht der Verständigungsfunktion in unterschiedlich tiefem Schlummer liegt. Jede Begegnung mit Fremdsprache ist eine Herausforderung dieser Sprach-Welt, der persönlichen wie der kollektiven, wobei allerdings letztere durch die schlichte Notwendigkeit eines Konsenses weniger betroffen ist.

Esther Kinsky

Heinz Erhardt Reloaded

Täglich fließt die Timeline fort.
Von hier nach dort, zu keinem Ort.
Sie steht nie still, auch sonntags nicht
und wenn’s mal in der Birne sticht,
kann man was posten, gar verfassen.
Man kann’s aber auch bleiben lassen.

Täglich fließt der Bach durchs Tal.
Mal fließt er breit, mal fließt er schmal.
Er steht nie still, auch sonntags nicht,
und wenn mal heiß die Sonne sticht,
kann man in seine kühlen Fluten fassen.
Man kann’s aber auch bleiben lassen.
(Heinz Erhardt, “Der Bach”)

São Paulo, kurz vor Zwölf

Im Supermarkt um die Ecke. Der Laden brummt. Ungewöhnlich, zu dieser Uhrzeit. Ein Bienenstock. Wieder draußen, die ersten Böller, das erste Gehupe. Noch sind die Straßen frei, wie an gewöhnlichen Feiertagen. Ja, heute ist einer, ausgerufen per Dekret, Grüße von der prefeitura. Noch sind die Straßen frei. Noch ist Zeit. Dennoch zügig nach Hause. Bevor sie anwälzt. Die Blechlawine der Torschluss-Panik. In wenigen Stunden. Kurz vor dem Spiel.

Oder auch nicht.

Auch nicht schlecht:

Nachdem keine amerikanische Zeitschrift will, dass ich für sie auf den Deutschen rumhacke, weiß ich nicht, was ich tun soll. Außer eben in Deutschland auf den Deutschen rumzuhacken.

Eric T. Hansen

O estranho Mujica no desconcertante Uruguai

Mujica4c-e1400869625507-120x80Diz que a democracia e o socialismo são compatíveis, mas com a condição de que um não engula o outro. Diz que o que mais importa destacar de seu mandato é a luta contra a pobreza e a indigência, e o crescente clima de estabilidade política e confiança que vem atraindo os investimentos estrangeiros. Pergunta se queremos um uísque, diz que não teremos outro remédio senão voltar à economia produtiva, e que neste terreno o Uruguai está muito bem situado, pois tem uma excelente produção de lácteos, de carne, de cereais. Diz que produzem trigo, soja, que exportam arroz, que são bons vendedores de carne de vaca, que exportam peixes pois comem muito pouco, que possuem um mar precioso mas têm vivido de costas para ele já que são descendentes de galegos. Diz que fala muito com os chineses, que são seu principal cliente, que compram toda sua soja e estão aumentando sua presença, que nas campanhas eleitorais as bandeiras são todas chinesas. Diz que o problema da Europa é ter-se descuidado da economia produtiva, subordinando-a a engrenagem financeira, e daí a imagem da cauda que move o cachorro, quando o importante é o cachorro…

Trecho de um artigo por Juan José Millás. O escritor espanhol foi a Montevidéu para acompanhar o cotidiano do presidente uruguaiano, entrevistar o mesmo e descrever suas impressões.

Desafio Kurrent

Minha avó ainda escrevia assim. Dá para imaginar que a leitura de um simples cartão postal dela já era um desafio. O que sobrou daquela época é uma letrinha minúscula: o “ß”.

Alfabeto Kurrent

Dann schon eher zum Psychiater …

Es kann ja grundsätzlich nicht falsch sein, über Sprachentwicklungen nachzudenken. Zumal die Zeit fließt und die Sprache in ihr es auch tun sollte. Aber ist es sinnvoll, das Kind mit dem Bade auszuschütten (vgl. hier oder hier)? Wenn sich jemand von einem Drucker diskriminiert fühlt, sollte er keinen Linguisten bemühen, sondern eher einen Psychiater oder wahlweise einen VHS-Kurs für Computertechnik.Und warum sollten aus dem Englischen entlehnte Wörter, Computer etwa, verballhornt werden? Und soll der Plural von “Wort” ab jetzt Wörta heißen, weil das “er” diskriminierend wäre? Und aus gleichem Grund heißt das Wort nun Diskriminiaung? Und ist Mutta die entdiskriminiate Form von Vata?

Unerhörte Worte!

Sobre cães e seres humanos …

Deve ter sido por causa do “ambiente” (um pequeno parque na Vila Madalena), da minha boa vontade e – nem falar – do ótimo desempenho da adestradora que resolvi me afastar com meu parceiro canino daquela turma de cães terapeutas em sociabilização.

dudugramadoHavíamos concluído um curso de adestramento – eu e aquele cachorrinho jovem e inexperiente. Naquele dia, na praça, a atividade era voluntária. Seja como for, me afastei dos outros cães e dos outros donos então, algumas vezes, para ter uma “visão mais ampla” do encontro. Dei umas voltas, soltei o bicho (embora não tenha sido aconselhado por ninguém) quando achei adequado, arrisquei uma “experiência negativa”. Segui meus instintos, como dono diante de “cães desconhecidos”. Nesses momentos, enquanto meu protegé corria “feito louco” em círculos com outros companheiros da sua espécie (maiores e menores), ocorreu-me um insight, bem claro e de forma nítida:

- O ser humano não é perfeito. (Quem diria!)
- O cão perfeito também não existe. (De vez em quando, temos essa impressão, mas acho que não é o caso).
- A relação entre cão e dono é pessoal, há falhas sempre. Such is life. So what? É uma interdependência viva, que inclui riscos.
- A busca pela vida perfeita é uma tentativa constante de achar um ideal, como uma estrela, um ponto fixo, uma esperança; é algo que nos define como seres humanos, embora tal ideal nunca seja alcançado por inteiro. Mas não importa.

Quanto aos cães e aos donos: que o behaviorismo seja uma ferramenta necessária e útil mas não o sentido da vida.

Fachtermini

Fachtermini müssen sein. Sie fördern das Ego und schaffen oft sogar strategische Vorteile. Jeder Privatarzt, der die sowieso schon überhöhte Rechnung für den ahnungslosen Patienten pimpen will, weiß das. Jeder Gasetagenheizungswarter, der noch ein Ersatzteil mehr auf die sowieso schon lange Liste setzen will, weiß das auch. Jeder sadistische Bezirksamtsbürokrat erst recht. Jeder Marketingwichser. Jeder Automechaniker. Baumarktmitarbeiter. Sternekoch. Banker. Alle ballern mit Fachsprache um sich, dass es eine wahre Freude ist. Je mehr desto klug. Und je dümmer der Kunde desto Kohle weg. Binse. Eine bekannte.

via kiezneurotiker

Boa Viagem!

Texto original: Matthias Eberling
Tradução autorizada: Peter Hilgeland

Estamos tão acostumados com a aviação como meio de transporte que aceitamos uma viagem acima das nuvens como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas, na verdade, dentro de um avião, nós nos encontramos numa situação fora do comum: estamos a quase dez mil metros acima do solo, lá fora as temperaturas são baixíssimas e nos deslocamos através do “nada” a uma velocidade de novecentos quilômetros por hora. Enquanto assistimos a um filme e nossos filhos abusam dos smartphones, esquecemos completamente a artificialidade do lugar. A pressão da cabine protege nosso corpo, o ar condicionado nos aquece, um programa de computador conhece o trajeto e guia o avião. Não somente esquecemos nossa fragilidade neste ambiente, como também esquecemos quão dependente somos. Nestas alturas, além de simplesmente congelar e cair feito uma pedra de gelo, também morreríamos de fome, pois acima das nuvens nada cresce e não há água para beber. Dependemos da tripulação que nos alimenta e instrui, vivemos dos alimentos compartimentalizados que o avião armazena. Também não podemos sair do avião durante a viagem. Porque querermos chegar a outro lugar em altíssima velocidade, nós nos entregamos à dependência de uma organização que nos protege, cuida e, ao mesmo tempo, nos domina.

flowDe volta ao solo, a situação não é diferente. Estamos tão habituados à civilização moderna que a enxergamos da mesma forma: como a coisa mais natural do mundo. Em casa, a geladeira está cheia porque as estantes dos supermercados estão repletas. Nossos carros e caminhões circulam sem parar porque há combustível suficiente nos postos de gasolina. A água limpa sai de qualquer torneira, seja ela fria ou quente; a luz elétrica está a disposição em qualquer quarto, basta acioná-la. O dinheiro flui através das nossas contas e através das nossas carteiras e mantém em movimento o círculo vivo da necessidade e da satisfação. Nós olhamos os monitores dos nossos computadores e os displays de outros aparelhos eletrônicos como se olhássemos através da janelinha de um avião. O que aconteceria caso a parede fina da cabine se rompesse? Caso o salário, a renda, não fosse mais transferido e as prateleiras dos supermercados não fossem mais abastecidas? Os relatos advindos da Síria e da Ucrânia nos transmitem uma ideia dessa dependência e da fragilidade na qual nos metemos. Nós nos tornamos apenas passageiros faz tempo. Nós nos entregamos às mãos de grandes organizações, de um sistema que exige um preço [alto] para a nossa proteção. Estamos sendo vigiados nos aeroportos, na internet – e, através dela, na vida cotidiana e em nossos lares. E é tarde demais para sair.

Matthias Eberling é cientista político e escritor, viveu em Berlim de 1991 a 2013 e trabalhou como consultor político por vários anos. Sua última novela policial “Berliner Asche” (“Cinza Berlinense”) foi publicada no ano passado.

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